sexta-feira, 16 de agosto de 2013

geração descolada

Há um grande inconveniente em ser jovem nos dias de hoje. Não parece socialmente aceitável você ter 20 e poucos anos e não ser viciado em smartphone, não sonhar em ter um Google Glass e achar que é possível viver sem um tablet.
Também não é permitido você não ser full time dinâmico, ansioso, criativo, descolado, inquieto, irreverente, arrojado, falante, empreendedor, viver cheio de ideias incríveis e atualizar menos de duas vezes ao dia seus nove perfis nas redes sociais.
Você precisa dar sua opinião - quase sempre profunda como um pires - o tempo todo, pra todo mundo. Você precisa criar algo, ter um projeto. Não dá para simplesmente ser o que você é, principalmente se sua espera é pelo próximo livro do Irvine Welsh ou pelo novo filme dos irmãos Coen e não pelo iPhone 5C. 
Não tem a ver com ser avesso a novas tecnologias ou fazer questão de ser fleumático e indiligente, mas se o estagiário de publicidade e propaganda não está sabendo como funciona aquele novo gadget, talvez suas noites de insônia sejam embaladas por outras prioridades.

domingo, 11 de agosto de 2013

the girls in the band


Alisson Mosshart, The Kills



Lauren Mayberry, Chvrches



Victoria Legrand, Beach House

 

Este, Alana & Danielle, Haim

domingo, 4 de agosto de 2013

cinco filmes com professores e suas peculiaridades

Pelo único motivo de que quatro deles eu assisti em um período de dois meses e gostei de todos.

Dans La Maison (Dentro de casa) 
Não sei quem é o pior em Dans La Maison: Claude, que entra na casa de seu colega e escreve textos sobre a intimidade da família do rapaz, ou Germain, o professor de francês que acha os textos o máximo e o estimula a escrever cada vez mais. Quanto mais o rapaz se envolve, mais o professor – e sua esposa, que ouve as histórias em casa – o incentiva a adotar abordagens diferentes para conseguir relatos sobre cada um dos membros da família do jovem, até que... bem, a coisa começa a ficar estranha e fora do controle. 

Monsieur Lazhar (O que traz boas novas) 
Bachir Lazhar tem um pequeno desafio na escola onde começa a trabalhar: substituir uma professora que cometeu suicídio dentro da sala de aula. Tarefa nada fácil, especialmente porque sua vida pessoal também não anda lá muito organizada. Ele é um imigrante argelino em busca de refúgio político em Montreal, no Canadá. Apesar da dificuldade em lidar com crianças traumatizadas com a morte de alguém tão próximo, Bachir faz um bom trabalho com os pequenos enquanto tenta esconder sua rotina fora dos portões da escola. 

Detachment (O Substituto) 
Aqui temos o professor substituto Henry Barthes, personagem sensacional vivido pelo igualmente sensacional Adrien Brody. Trata-se de um professor com uma imensa capacidade de se conectar com os alunos, mas com um desejo completamente oposto. Sua vontade agora é envolver-se o menos possível. E é por isso que escolheu ser substituto: passa algumas semanas em uma escola e vai embora sem criar qualquer laço. Só que as coisas mudam quando começa a trabalhar em um colégio público cheio de jovens problemáticos. 

A Caça (Jagten) 
Ai ai, Mads Hannibal Mikkelsen nos mata de dó – e também de raiva, devido a sua inoperância – na pele de Lucas, professor do jardim de infância adorado pelos pequerruchos que toma conta todas as manhãs. Um dia a pequena Klara, filha de seu melhor amigo, inventa para a diretora uma história terrível sobre Lucas após ele rejeitar sua paixão infantil. A vida do pobre vira um inferno na pequena cidade onde vive na Dinamarca, afinal, todos dizem, criança não mente. 

Um homem sério (A serious man) 
 Pobre Larry. Aqui temos alguém para nos mostrar que a vida pode ser pior. Não bastasse passar os dias na sala de aula da Universidade de Midwestern ensinando física, o judeu Larry é largado por sua esposa após anos de casamento. E o pior: o novo amor dela é seu colega. Além de tudo, ele precisa conviver com o irmão morando em seu sofá há semanas, o filho rebelde, a filha mimada e insuportável e a possibilidade de ser demitido a qualquer momento. Ele só queria saber o que fez pra merecer isso tudo.

domingo, 21 de julho de 2013

não to confusa

Eu sei, presidente Obama, que o senhor deve estar intrigado a respeito do que eu ando fazendo na internet. Mas se um dia eu procuro por intercâmbio na Irlanda, no outro por cursos baratos em Boston, e na próxima semana busco especialização em jornalismo cultural e em comunicação e cultura ou mestrado em literatura e depois como trabalhar no Uruguai e na Argentina, enfim, isso não quer dizer que eu esteja confusa. Não mesmo. Significa apenas que não tá legal. Saca?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

apenas pior

Quase um ano. Eu poderia dizer que por dentro continua tudo ruim como estava, mas a verdade é que ficou bem pior. Porque além de não ter acontecido absolutamente nada do que eu sonhei ou planejei, todo o trajeto para o fracasso foi cheio de nãos, cheio de falta de respostas, afinal eu nunca desisti e é isso o que acontece com quem não desiste: apanha outra vez. 
Quanto mais eu era derrubada e quanto mais eu olhava ao meu redor, mais eu tinha vontade de subir o morro ou atravessar a cidade dentro de um ônibus pra tentar me salvar, mas ninguém abriu a porta pra mim. Nada do que eu fiz resultou em coisa alguma. Os sábados acordando junto com o sol, a busca por mais isso ou mais aquilo enquanto meus adversários apenas viviam suas vidas sem qualquer anseio. 
Não dá nem pra dizer que continua a mesma coisa.

domingo, 7 de julho de 2013

moravam na cidade, também o presidente

A primeira vez que ouvi falar no Aborto Elétrico foi em 2001, quando surgiu em minhas mãos o Acústico MTV Capital Inicial e antes de tocar Fátima, Veraneio Vascaína e Música Urbana, o Dinho anunciou que as próximas canções eram da supracitada banda. No alto dos meus 11 anos, contudo, eu só queria saber de ouvir Natasha no repeat porque achei que a aquela história só poderia ser meu futuro escrito & musicado, portanto não dei muita bola para as três faixas que fechavam o disco, embora a última delas tivesse soado bem aos meus ouvidinhos juvenis.
Anos depois, em 2005, tudo ficou mais claro quando a MTV fez o Especial Aborto Elétrico com o Capital tocando somente músicas da banda. Achei aquilo potencialmente interessante, especialmente porque Renato Russo & Legião Urbana nunca tinham conseguido me impressionar. Mas claro que naquela altura do campeonato não pegava bem eu ficar ouvindo a banda do Dinho Ouro Preto, não importava que raios ela estivesse tocando.
Seis anos mais tarde, fui buscar referências de estilo para fazer meu TCC e acabei lendo um livro chamado BRock e a biografia do Renato Russo, ambos do Arthur Dapieve, um atrás do outro, ao passo que o Especial Aborto Elétrico reprisava na MTV. Daí sim, livre das amarras da juventude que não permitiam desviar de meu foco musical, entre meu compromisso com o rock gaúcho, passei a gastar um tempinho também com o de Brasília. Desde então já li, ouvi e assisti tudo o que encontrei a respeito e não me canso de saber de mil maneiras e versões como aquele senhor de óculos e barba criou junto com seus amigos esse troço barulhento que eles orgulhosamente chamavam de punk brasileiro.

Essa é uma das minhas favoritas:

domingo, 30 de junho de 2013

Playlist: Soft

Yay! Com o Rdio é mais fácil e mais divertido brincar de Rob Fleming. Minha primeira playlist é de músicas macias:

terça-feira, 11 de junho de 2013

cinco filmes com jornalistas excêntricos

Nada de clássicos como Cidadão Kane, A Sangue Frio ou A Montanha dos Sete Abutres. Os filmes selecionados na despretensiosa compilação abaixo, além de serem completamente inúteis para a formação de um jornalista, são todos baseados em livros e/ou histórias reais, mas vamos nos apegar ao que interessa.

Medo e Delírio em Las Vegas (Fear and Loathing in Las Vegas)
Em meu segundo filme favorito no mundo inteiro, atrás de Quase Famosos (que não figura nesta lista), temos Hunter Thompson sendo magnificamente interpretado por Johnny Depp em uma viagem que o famigerado jornalista fez ao lado de seu advogado para cobrir uma competição de motos. Com um conversível vermelho recheado de todos os tipos de drogas que se possa imaginar, a duplinha parte para Vegas nos brindando com as cenas e diálogos mais bizarros que nossos olhos e ouvidos já vivenciaram. No fim, após algumas alucinações de ácido e alegóricas fugas da polícia, a única coisa que não temos é: uma competição de motos e sua consequente cobertura.

A Fogueira das Vaidades (The Bonfire of the Vanities)
Aqui temos Bruce Willis sem rugas interpretando o jornalista Peter Fallow, que ganha de bandeja uma história que inicialmente soava apenas mais uma besteira para descolar uns trocados. Fallow, que era um fracassado – como muitos de nós –, foi incumbido de produzir uma matéria sobre um negro atropelado por um ricaço no Bronx. Se mais tarde não viesse à tona que no carro que atingiu o rapaz estava um grande corretor de Wall Street com sua amante, continuaria sendo um fracassado. Mas a história lhe rendeu um livro, fama, dinheiro, bebidas & mulheres, e bem... ele aproveitou tudo muito bem, como todos faríamos.

The Paperboy (Obsessão)
Aqui estamos em 1960 e Matthew McConaughey vive Ward Jansen, um jornalista do Miami Times que volta à sua cidade natal para cobrir o caso de um assassino que está no corredor da morte. Ele tem a ajuda Jack, seu irmão mais novo que largou a faculdade para virar jornaleiro, afinal... bom, deixa pra lá, só que ambos são filhos do editor de um importante jornal da cidade. Para realizar o trabalho, a dupla conta com a participação de uma mulher que é peça importantíssima na história que eles querem produzir: ela não apenas se relacionava com o criminoso antes de ele ser preso como se correspondia com ele na cadeia. Só que, pra estragar tudo, o pirralho Jack acaba se envolvendo com a moça, bem mais velha que ele.

The Hunting Party (A Caçada)
Veja só, aqui não só temos um jornalista como também outro famigerado personagem da vida jornalística: um estagiário. Tá, não é bem isso, mas é mais ou menos o papel do bonitinho do Jesse Eisenberg no filme. Richard Gere é Simon, um jornalista de guerra que depois de cobrir grandes acontecimentos, deu uma despirocada ao vivo, foi despedido e sumiu do mapa. Anos depois, o cinegrafista que o acompanhava em suas aventuras tornou-se chefe da equipe da emissora e reencontra Simon. Juntos, eles encaram uma nova missão: capturar um criminoso de guerra local. Claro que Simon não está nem um pouco preocupado com ordens da ONU e a turminha – agora com o supracitado novato tentando reconhecimento profissional metido no meio - é confundida com agentes da CIA, para tornar tudo, digamos, mais interessante.

How to Lose Friends and Alienate People (Um Louco Apaixonado)
Faz muito tempo que assisti a esse, mas a lembrança de Sidney Young sendo louco nunca me saiu da cabeça. Young é um jornalista britânico fracassado (opa!) e desiludido que vê sua vida profissional mudar radicalmente após soltar um porco acidentalmente em uma importante festa. Ele, que trabalhava em uma revista de esquerda que tinha o costume de ironizar personalidades, acaba convidado para trabalhar em Nova York, na revista Sharp. Lá, Sidney adentra ao mundo das celebridades, conhece sua musa antes vista apenas pela televisão, se apaixona por uma colega de trabalho e faz uma série de bobagens inacreditáveis.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

eu só queria que a minha vida fosse um clipe do Haim

Não, também não precisa isso tudo.
Me digam vocês, que amam suas vidas, seus empregos, seus milhares de amigos, suas botas Doc Martens, suas viagens, suas baladas, seus cabelos hidratados, suas maquiagens MAC, suas máquinas lomo, como é que faz? Porque não pode ser tão difícil. Não preciso fazer outra faculdade nem mudar de país, emagrecer 10 quilos, aprender hindi ou ganhar um milhão de dólares. Só não encontro o caminho, uma porta aberta, uma janela, uma chaminé, uma frestinha, nada. Embora meus pés já apresentem calos.