quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O pior sempre é se apaixonar.
Não é se apaixonar e não ser recíproco. Não é se apaixonar e estar longe. Não é se apaixonar e ser impossível. O pior que pode acontecer é simplesmente se apaixonar. O resto vem. Sempre vem.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sobre vagabundos bebuns que escrevem bem pra caralho

Daí eu tenho esse amigo, o Marcelo. O Marcelo é um cara legal. Em março vai fazer três anos que eu conheço ele. Naquele dia, eu e um monte de semi-desconhecidos estávamos bebendo cerveja em um bar na frente da faculdade e me falaram que o Marcelo era pai. Eu dei risada. Como um guri que ia fazer 18 anos dali uns meses podia ser pai? Mas era a mais pura verdade.
Naquela época o Marcelo cursava Direito, recém tinha entrado no curso e aquilo não parecia fazer o menor sentido. No semestre seguinte ele mudou pra jornalismo. Hoje ele não passa de um vagabundo. Mas é um vagabundo que escreve bem pra caralho.
No início eu achava o Marcelo uma pessoa extremamente esquisita, mas nutri um afeto por ele desde aquele dia no bar, com as cervejas, os semi-desconhecidos e a volta de ônibus pra casa. A gente não tinha absolutamente nada em comum a não ser o fato de que meus semi-desconhecidos eram amigos dele. Eu estava no bar não por acaso, já que um deles, na verdade, era meu conhecido. E era aniversário deste.
O Marcelo me irritava porque gostava de criticar todas as coisas do universo, principalmente no que se referia a música. Hoje ele continua meio assim, mas acabei descobrindo uns gostos musicais em comum com ele e ele também deixou de ser 50% do chato que era em relação às bandas. E ele escreve bem pra caralho.
O Marcelo meio que largou a faculdade de jornalismo, porque, porra, ele é um vagabundo, um bebum, um junkie inconsequente que foi pai aos 17 anos. Ele não quer entrevistar pessoas. Ele inventava fontes nos trabalhos da faculdade. Mas sabem de uma coisa? O Marcelo escreve bem pra caralho, então foda-se.
E aí ele tem uma coluna no Portal Rock Press e ele fala sobre os shows que ele vai. Que geralmente são shows que eu vou também. Eu fico meio abobalhada quando leio o que ele escreve, porque metade do texto não tem absolutamente nada a ver com o show. Mas é demais. É realmente demais. O Marcelo é foda. Eu sou fã do Marcelo e não tenho a mínima vergonha de dizer isso na cara dele.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Confortáveis

Ela, uma pseudo-junkie, metida a groupie desde que conheceu o primeiro guitarrista da sua vida. Está no segundo ano da casa dos 20 e não terminou a faculdade ainda. Quer ser jornalista de cultura, mas anda flertando com a área de política. Só veste branco, preto e cinza, tem o pavio curto, esbraveja fácil e se irrita com tudo, mas lá no fundo é uma romântica empedernida. Vive de excessos e se apega fácil às pessoas. Não gosta de abraçar e beijar quando não há significado, mas poderia passar o dia todo fazendo isso na meia dúzia de pessoas que julga ser relevante na sua vida. Não sabe muita coisa sobre coisa alguma, mas tem vontade de aprender todas as coisas sobre tudo. Geralmente perde o controle quando começa a beber, se entope de coisas e faz um monte de escrotices sob todos os efeitos. Ama os Beatles e os Rolling Stones, mas também ama uma porrada de bandas dos anos 90. Se emociona ouvindo o último disco dos Arctic Monkeys e hiperventila vendo Pete Doherty e Carl Barat dividirem o mesmo microfone. Lê Bukowski, Nick Hornby e também gosta do Jack Kerouac e seu séquito.

Ele, jornalista político de um dos principais jornais do estado. Inteligente, sabe muito sobre muitas coisas. Está no penúltimo ano da casa dos 20 e se formou na universidade federal há alguns anos. Ama Franz Ferdinand, mas também adora Beatles, Roberto Carlos e Mutantes. Não suporta o último disco do Arctic Monkeys, mas gosta do Pete e do Carl dividindo o mesmo microfone. É gentil, delicado e raramente perde a paciência. Não tem banda, mas de vez em quando é convidado para ser DJ em alguma festa de rock alternativo na capital. É daquelas pessoas que ninguém é capaz de não gostar. Usa camisetas divertidas e tem um senso humor admirável. É um verdadeiro gentleman, apesar da quase ojeriza à camisas e sapatos sociais. Sabe cozinhar e cuida com muito amor de um gatinho que solta pelos no apartamento inteiro. Bebe cerveja quase todos os dias, de preferência as de garrafa verde, e costuma saber a hora de parar. Abandona as coisas com facilidade depois de cansar delas, e cansa com uma facilidade ainda maior do que abandona. Lê Bukowski e Nick Hornby e diz que ninguém que passou dos 27 consegue continuar gostando de Kerouac.

Mas eles eram confortáveis juntos, como ele mesmo frisou.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Te seduz com aqueles inocentes olhos azuis. Inocentes um grande caralho. Mas então, te seduz com aqueles olhos azuis que pareciam inocentes, te chama de maluquinha. Sim, maluquinha. Te chama de maluquinha quando tu surta porque fez uma tonelada de coisas escrotas e diz que nunca mais vai pôr os pés naquela cidade. E te faz pensar que tu é uma babaca porque não ficou olhando só pros inocentes olhos azuis por três madrugadas seguidas. E vem com aquele sotaque. E insiste pra ti fazer coisas e tu fica sem entender o porquê daquilo tudo. E tu fica encantada porque ele te faz achar que ele de fato é maravilhoso.
E aí tu simplesmente não existe mais.

domingo, 2 de janeiro de 2011

come up with

Quero tudo de novo. Até o sono fodido depois do primeiro baseado do ano fez algum sentido porque ele tava do meu lado com o celular na mão empenhado em arrumar um jeito de voltarmos pra casa. Quero o taxista puto da cara comigo porque o trajeto era curto demais. Quero ficar esperando no hall de entrada até vê-lo vestido com sua camiseta da comunist party. Quero pelos de gato nas minhas roupas, cervejas bonitas, dormir e acordar várias vezes na mesma manhã.
Quero aquele apartamento minúsculo, com todos os seus cupins e sua falta de cortinas. Quero aquela risada deliciosa de ouvir e aquele jeitinho delicado de fazer as coisas. Quero poder conversar sobre tudo e mais um pouco, eu nem preciso falar nada, se for o caso. De qualquer modo, ele é tão inteligente que se eu falar alguma coisa posso estragar o clima. Quero meu batom vermelho sumindo dos meus lábios minutos após ser aplicado. Quero toda aquela preocupação com o meu bem estar, quero passeios de mãos dadas sob o sol escaldante da beira-mar, quero ouvir suas histórias sempre tão interessantes.
Quero tudo do jeito que foi. Mas não quero aquele relógio de vinil esfregando na minha cara que tá na hora de ir embora.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Todos os meus ídolos foram decadentes. Por que eu também não posso ser?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

retrospectiva

Lembro daquela porcaria de virada de ano como se fosse hoje. Os 15 entediantes minutos de fogos na Ilha das Cabras, aquela gente feia se aglomerando como se aquilo fosse um grande acontecimento, e uma tentativa frustrada de ir a um bar que supostamente abriria naquela noite. Aí eu pensei pronto, 2010 vai ser uma grande merda, melhor morrer agora. Mas daí no mês seguinte as estradas catarinenses começaram a ficar pequenas para o velho gol prata. E o meu bolso começou a ficar vazio com tantos shows e meu coração começou a transbordar de tanta alegria.
Viagens. Todos os tipos de viagens. Em 2010 me tornei uma viajante. Só não viajei no tempo, mas foda-se, quem sabe em 2011.
Eu fiz tanta coisa neste ano que agora vai embora assim, sem mais nem menos. Eu estive em várias cidades diferentes em um mesmo fim de semana. Eu estive em Porto Alegre, em Santa Maria, estive milhares de vezes em Florianópolis e em Joinville, e uma penca de vezes em Bombinhas sob efeitos que Ken Kesey entenderia. Eu estive na estrada durante três madrugadas seguidas com pessoas insanas. Estive em Jaraguá do Sul, em Blumenau, em Itapema, em São Bento do Sul, em Rio do Sul. Fiz tantas bobagens que me deixaram moralmente abalada, mas que hoje já são capazes de me fazer rir. Acordei com os sapatos molhados e sujos de areia sem lembrar o que tinha acontecido na noite anterior. Conheci um milhão de pessoas que eu quero que fiquem pra sempre na minha vida. Metade talvez eu só veja esporadicamente daqui a alguns anos. Eu mudei de estágio, terminei um longo relacionamento e achei a vida uma merda com muito menos frequência do que em 2009.
E ainda deu tempo de assistir zilhares de filmes, ler uma boa quantidade de livros e conhecer uma porrada de bandas. Fiz minhas primeiras reportagens importantes e o jornalismo provou ser a melhor coisa que o meu futuro pode esperar. Usei salto alto depois de vários anos e passei a usar óculos. Ah, eu também perdi o show do Paul McCartney e vou me martirizar por isso até eu completar 80 anos e finalmente esquecer quem foi este homem.
E 2011 vai ser tão mais intenso que tenho medo de pensar a respeito. As primeiras horas dele serão em Florianópolis. Não tem como terminar mal.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os melhores discos internacionais de 2010

5 - Wampire Weekend - Contra
4 - We Are Scientists - Barbara
3 - Yeasayer - Odd Blood
2 - Spoon - Transference
1 - Arcade Fire- The Suburbs





quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os melhores clipes internacionais de 2010

5 - Vampire Weekend - Giving Up the Gun



4 - Two Door Cinema Club - Come Back Home



3 - We are Scientists - I Don't Bite



2 - Arcade Fire- The Suburbs



1- Ok Go - End Love