terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Música sem nome

Eu não sou muito fã de Tópaz, menos ainda de crianças, mas... sério, chorei sangue com isso:

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu te coloquei num patamar muito acima de mim porque é onde tu merece estar, e eu posso ficar só olhando daqui de baixo enquanto sigo achando impressionante como uma pessoa tão pequena pode ser tão incrível. Tão grande por dentro. Tão amável e tão humana quanto todos os outros humanos que magoam e são magoados com muito mais frequência do que gostariam.
Primeiro me seduziu com o incrível dom de empilhar palavras que arrepiavam cada extremidade do meu corpo. Depois me seduziu com todo o resto. Acabou comigo, me deixou mutilada dentro de um ônibus voltando pra realidade. Pra minha realidade. A realidade que consiste na tua ausência e em uma pequena pilha de livros ao lado do meu travesseiro. Minha única companhia enquanto tu esvazia garrafas verdes e esquece aos poucos do que nós fomos naqueles dias.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

acontece nos bares vazios

Se eu não esperava encontrá-lo ali naquela noite, que dirá o pobre coitado. Não posso culpá-lo pelos olhos arregalados quando cruzaram com os meus no bar semi-vazio. Era engraçado. Por mais que eu tenha passado quase dois meses num misto de amor & ódio, eu lá fundo sabia que o ódio era infundado. Ele me ignorava sem sequer notar que estava me ignorando. Era uma inocência tão assustadora que dava vontade de trazê-lo pra casa e protegê-lo desse mundo cheio de pessoas horríveis como eu, que acham que ele é só mais um babaca espalhando testosterona pelo mundo.
Enquanto um rapaz se esforçava para me convencer a deixar o bar e ir a uma festa só porque estava acompanhado de um ídolo do underground, ele me cutucou não uma, mas duas vezes para que eu parasse de cochichar no ouvido daquele pertinaz indivíduo e olhasse para ele. Minha vez de arregalar os olhos.
E aí ele perguntou. Foi quando vi a inocência transbordando e escorrendo para fora daqueles olhos e daquele sorriso exageradamente lindo. Me senti uma babaca. Eu não merecia tudo aquilo, embora minutos mais tarde ele tenha provado que não concordava com isso.
Na volta pra casa, ouvindo Raconteurs no carro com os vidros totalmente fechados por causa da chuva torrencial, eu havia me transformado em uma gosma no banco do carona. Uma gosma completamente derretida e consciente de que aquilo poderia se repetir caso eu não esperasse demais daquele rapazinho que já havia pego várias ruas erradas até me deixar no meu destino.
Juntei meus restos, bati a porta do carro e deixei que a chuva me molhasse um pouquinho.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Yeasayer e o niilismo

Certa noite no bar, meu amigo Léo - que tem um gosto musical bastante pertubador - comenta algo sobre Yeasayer e olha pra mim em seguida. De alguma maneira ele tinha descoberto que eu gostava.

- Eu adoro Yeasayer. Não sei como, mas eu adoro - eu disse.
- É, eu não sei como tu adora Yeasayer
- O último CD é lindo
- Nah, prefiro o outro

Ufa.

Apesar do Odd Blood, disco mais recente deles, ser menos perturbador que o primeiro, os clipes continuam assustadores, de um niilismo fora do comum, e não há no youtube vídeos de boa qualidade deles tocando músicas desse disco. O clipe de O.N.E foi a coisa menos embrulhadora de estômago que encontrei, embora não seja uma das minhas faixas preferidas.



Mas Ambling Alp e Madder Red são.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

rabiscos

Tem uma baqueta com uma assinatura de canetão preto delicadamente colocada meio sobre o volume I de Mate-me Por Favor, meio sobre o Diário de Bridget Jones. É a minha biografia. Uma baqueta que foi de alguém. Mate-me Por Favor. O Diário de Bridget Jones. E nem foi intencional, se quer saber.
Eu lembro o quanto ele me torrou a paciência por causa da baqueta. Tudo porque eu não ficava com ela na mão o tempo inteiro, por quatro horas seguidas. Quer dizer.
- Tu vai esquecer ela aí. Eu vou pegar de volta porque eu posso usar ainda.
Mas é claro que ele não pegou, e nem foi por causa do meu olhar fulminante. Ele precisava deixar um pedaço dele comigo, afinal.
Tem dois adesivos com o nome da sua banda atirados em cima do meu bloquinho de anotações velho, desbotado e amassado. O CD tá logo ali do lado, e a foto eu coloquei no porta-retratos porque tava atrapalhando a minha bagunça pessoal. Só por isso. E tudo tem aquele maldito nome rabiscado com o mesmo canetão preto.
- Mas tu já assinou, não assinou?
- O CD não. Eu assinei a foto.
Ah. A foto.
Na verdade ele realmente parecia uma pessoa amável já no primeiro dia. Ele, o canetão e a indefectível vontade de rabiscar seu nome em tudo. Até na minha vida. O que me conforma é que quando eu voltei pra casa trôpega naquela manhã, com roupas não condizentes com o clima e a situação, maquiagem borrada, olhos assustados dos trabalhadores voltados para mim e a baqueta na mão, o rabisco desbotou um pouquinho.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cult & antigos

João. João. Meu amigo João é demais. Ele mora em Fortaleza e a gente se falava muito, pra caralho, durante vários meses do ano passado e eu xingava ele porque ele era um vagabundo que só queria saber de encher a cara e sair de segunda a segunda. Não lia livros, quando lia era Marley e Eu, ou alguma coisa parecida, e também quase não assistia filmes. Mandei ele assistir Alta Fidelidade (sim, porque se mandasse ler o livro, eu poderia esperar sentada. Deitada. Dentro de um caixão. Sendo devorada por necrófagos). Daí o João baixou Alta Fidelidade. E sabe o que aconteceu? Ele dormiu assistindo. Dormiu. E não continuou depois. Até hoje sou frustrada e ele jamais será perdoado por isso. Ele nem faz muita questão anyway.
MAS DAÍ esses dias o João tava meio feliz da vida porque começou a namorar e eu fui dar os parabéns depois de anos luz sem trocar palavras com o cearensezinho cacheado e ele disse que lembrou de mim dia desses quando encontrou um certo blog. O blog se chama Cinema Cultura - Download de filmes cult & antigos. Primeiro tenho que dizer que, hm, o rapaz tem boas lembranças de mim. E depois, puta que pariu, o blog é muito do caralho porque eu ainda tenho pouco mais de um mês de férias e tava meio perdida nessa história de assistir filmes. Tá que o Pirate Bay quebra meu galho sempre, mas é tão melhor ter ali na tua fuça o filme + a sinopse & + tudo o que tu precisa saber a respeito. Sem falar que quando eu vejo a lista de filmes que eu vergonhosamente nunca assisti na vida me sinto muito mais tocada e estimulada a baixar. Talvez agora eu pare de ser guei e de assistir comédias românticas protagonizadas pela Kristen Bell.

Mesmo longe


Da madrugada movimentada de Balneário Camboriú:

- Tô louca pra chegar no meu quarto e ouvir Variantes

Graças a uma conversa de bar.
Você! Mesmo longe consegue estar por aqui
Aqui, na minha cabeça, eu não consigo fingir
Talvez porque eu emagreça

Não vou mais reclamar de você nem de mim
Porque passa e um sorriso conserta tudo
Quero dizer que dá certo

sábado, 8 de janeiro de 2011

O Vampiro

Perambulava pela Osvaldo Aranha e encontrei o sebo. Eu nem sabia que ele ficava na Osvaldo Aranha e, de repente, no caminho para um vegetariano no Ocidente, ali estava. Voltei no dia seguinte porque sabia que lá tinha o livro que eu queria há meses.
Era um sebo muito bonitinho, pequeno e organizado. Tinha uma estante só para autores gaúchos. Era ali mesmo.
A ordem era alfabética e lá estavam os ilustres Cyro Martins, David Coimbra, Erico Veríssimo, Fabricio Carpinejar, Josué Guimarães, Luís Fernando Veríssimo... Opa.
Não tinha.
Na verdade tinha, mas não estava onde deveria estar e eu não me prestei a perguntar para a moça debruçada sobre o balcão.
Menos de um mês depois eu estava comprando virtualmente pela Estante Virtual. Através. Do. Mesmo. Sebo.
O Vampiro - Leonardo Felipe

Li em duas tacadas. Deveria ter sido em uma só, mas já tinha passado das 3 da madrugada de um dia de semana e meu corpo clamava por repouso. Se no Auto, o primeiro livro do Leo Felipe, algumas gramas de Bukowski já haviam sido despejadas em suas páginas, em O Vampiro parece que acordou um velho Buk há muito adormecido e jamais antes visto de dentro do rapaz. No Auto, o lado sexualmente pervertido aparecia sutil misturado a doses cavalares de Hunter Thompson, Tom Wolfe e Kerouac & seus amigos drogaditos. Em O Vampiro não há nada de sutil. Tá ali, escancarado, arregaçado nas fuças de qualquer um que abrir aquele pequeno livrinho negro e perturbador.
Aliás, Leo Felipe foi tão genial na escolha do formato do livro que só esse fato já explica o quão lindo é tê-lo na estante. O formato tem tudo a ver com o nome, e depois tu percebe que tem tudo a ver com o conteúdo também.
Há menos humor, mas há também menos pudor, se isso lhes conforma. Aliás, minto. Não há pudor nenhum. Quem lê O Vampiro antes de ler o Auto jamais acreditaria que aquele carismático rapaz que há pouco tempo comandava o Radar na TVE fosse dono de tais palavras. E não culpo quem não acreditar nisso mesmo depois de ter lido o Auto.
Sei que há muito tempo já fui contaminada pela sedução dos contos & causos de Leo Felipe e jamais serei curada disso. Não consigo mais não enxergar genialidade em tudo o que ele faz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Os nossos relacionamentos costumam ter prazo de validade.
Os meus duram mais se conservados à sombra e em temperatura ambiente.
Os seus são totalmente perecíveis.

Spoon - Got Nuffin

Porque eu preciso dividir esse amor todo.

Do Twitter:
@julie_me: prometo que vou fazer várias coisas úteis depois que eu assistir todos os vídeos do Spoon disponíveis no youtube
@spiritabandoned: poucas coisas na vida são mais úteis do que ouvir Spoon
@julie_me: bah, se tu diz, então vou fazer é porra nenhuma depois da overdose
@spiritabandoned: bem-vinda ao meu mundo

Eu já disse que o Marcelo é foda? Já, né? Anteontem.



Eu daria um órgão vital inteirinho por aquele LP na mão do David Letterman.