terça-feira, 18 de setembro de 2012

os tantos feminismos

Quando eu tinha 16 anos, conheci uma moça que se dizia feminista. Ela tinha a minha idade, não era bonita do jeito que as pessoas costumam julgar, falava sem parar, lia muito, ouvia bandas de hardcore feministas, fazia fanzines, tinha uma certa aspiração ao veganismo e tinha ficado com pouquíssimos caras na vida. Ela atribuía isso ao fato de ser feminista. Uma riot grrrl, como dizíamos em 2006. E eu gostava daquilo. Quer dizer, gostava daquilo nela. Admirava, mas não era adepta de quase nada do que ela vivia e acreditava. Eu não pensava muito em feminismo, apenas gostava de rock, de livros e me vestia de um jeito parecido, por isso um dia decidimos que poderíamos tentar ser amigas. 
Lembro que ela ficava o tempo todo pregando o feminismo daquele jeito que conheci. Ela não se vestia para os homens, não saía por aí mostrando o corpo, afinal, era uma mulher, não um objeto para ser admirado e tocado pelo público, gostava de ser reservada e não tinha grandes vaidades. Também não era lésbica, mas preferia passar a noite de sábado ouvindo uma fita k7 enviada pelo correio por uma amiga do norte do país que ela não conhecia pessoalmente a ficar de amasso com algum rapaz de gel no cabelo em baladinha por aí. Perdemos o contato naquele mesmo ano, mas sei que ela continua igualzinha. Desde então, não conheci mais nenhuma feminista fervorosa, e quando me dei conta, aquele conceito que conheci parecia estar ficando muito diferente.
Até hoje não sei se há uma espécie de vertente daquele feminismo, ou se ele sofreu algum tipo de evolução. Sei que de repente passei a ver mulheres adeptas das saias curtas e justas combinadas com decotes e transparências dizendo que são feministas, sim, ora bolas. Afinal, se vestem como bem entendem e estão pouco se fodendo para o que os outros pensam. Elas também fazem sexo com quantos e com quem quiserem em uma única noite porque o corpo é delas e elas fazem o que bem entenderem com ele, não vai ser um babaca que vai julgá-las. 
A primeira impressão é de que não faz sentido nenhum. A segunda é de que faz, e muito. No fim das contas o que todas elas querem  - das riot grrrls às moças de minissaia - é combater exatamente a mesma coisa.

Um comentário:

Manu. disse...

Hahah.. Interessante!

Acredito que as minas que usam minissaia e dizem que são feministas, na verdade só querem achar um motivo pra saírem por aí vestidas do jeito que querem. Tudo bem, acho legal usar saia, mas chega um ponto que mostrar o útero já não é mais bonito. ihehioahoe

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