quinta-feira, 21 de março de 2013

underground

Esses dias o coordenador do meu saudoso curso de jornalismo postou no Facebook uma foto dos calouros deste semestre e lembrei do meu primeiro dia de aula da faculdade. Lá se vão quase seis anos desse ignóbil dia. Peguei sozinha o ônibus amarelo em Balneário Camboriú, sem saber que odiaria aquela lata com todas as minhas forças pelos próximos anos, e fui para Itajaí, assim, meio às cegas. Estava morando em Balneário há duas semanas.
Tudo ocorreu tranquilamente, cheguei com todos os meus órgãos intactos e achei minha sala sem grandes dificuldades. Não posso dizer que estava genuinamente entusiasmada com o início das aulas, saí de casa meio apressada, com o cabelo todo errado, porque estava correndo rua até poucos minutos antes de o ônibus passar.
Mas não foi exatamente essa lembrança que aquela foto de dezenas de jovens amontoados, felizes e sorridentes, me trouxe. Olhei para aqueles rostos iluminados de uma abençoada ignorância jornalística e lembrei que meu semblante era exatamente igual. 
Até mais ou menos o quarto semestre eu ainda estava descobrindo o que exatamente eu fazia ali. Sim, porque pensei que chegaria lá e todos os meus colegas seriam super descolados e que iríamos ser fortes concorrentes no mercado de trabalho porque todos quereríamos trabalhar na MTV ou na Rolling Stone. Imagine você a minha frustração ao perceber que não era nada disso, nem perto. Sem falar que: cadê câmera? microfone? reportagens incríveis sobre as bandas catarinenses? Tinha nada disso. Pelo menos até o terceiro semestre, o lance era ouvir a professorinha discorrer sobre história da comunicação, teoria da comunicação e ética na comunicação. Inclusive acredito piamente que foi esse o motivo que levou meus únicos amigos durante todo o curso a trancarem a faculdade no segundo período. O resultado é que tornei-me uma solitária. Praticamente uma agorafóbica.
Lá pelo sexto semestre tudo já fazia sentido na minha cabeça: nada do que eu sonhei aconteceria. O jeito foi descer os degraus de minha fértil imaginação e passar a caminhar sobre o solo. Depois de formada, então certa de que eu já estava preparada para o pior, tive que abrir um alçapão e caminhar pelo subsolo.
Por um segundo deixei de ficar chateada por mim e fiquei pelos calouros. Mas já voltamos à programação normal.

2 comentários:

Upiara Boschi disse...

Se fosse na UFSC, o currículo dos calouros seria mais divertido. Ainda lembro bem:

1) Redação para tv
2) Redação para rádio
3) Introdução às artes gráficas
4) Comunicação e Realidade Sócio-econômica brasileira (a chatice)
5) Técnicas de reportagem, pesquisa e entrevista jornalística (redação I, na prática)
6) Cinema I
7) Fotojornalismo I

Pouco tempo pro tédio. Fiquei louco logo na primeira semana. Mandei carta pra todos os amigos dizendo que era melhor do que eu esperava e que era aquilo que queria pra vida.

As pedras vieram mais pelo meio/fim. Mas aí, era tarde.

Que bom que você agüentou e chegou =*

Juliete Lunkes disse...

Mandou carta. CARTA.