quarta-feira, 18 de julho de 2012

eu não quero morar em São Paulo

Eu tenho um punhado de bons motivos para não querer morar em São Paulo, sonho de boa parte dos jornalistas recém saídos de universidades pelo interior do Brasil. Tenho um punhado de motivos, mas aqui e agora tratarei de um em particular, que me ocorreu recentemente.
Há algumas semanas, lendo um blog desses que tem umas coisas legais, outras nem tanto e no fim das contas você não sabe ao certo por que lê, vi que a blogueira fazia uma espécie de tour por hamburguerias da capital paulista. No post em questão, ela havia ido a uma simpática casa de hamburguers com decoração anos 50/60, semelhante ao Ooby Dooby aqui de Balneário Camboriú. Depois de degustar o lanche do estabelecimento, ela colocou no post as escolhas que fez, a nota para cada item e o preço. Vamos a eles.
Coke Flavours Lemon – R$7,50
Batata do Zé (fritas com corte artesanal, cheddar,queijo prato e bacon) – R$28,50
Hamburguer de fraldinha no sal grosso + cheddar + bacon – R$15,00 + R$4,20 + R$4,20
Shake Doce de Leite – R$21,50
Waffle
– R$15,70
Eu não sei, mas deve existir alguma boa razão para uma porção de fritas custar R$ 28,50. Talvez o corte artesanal. E que tal o milkshake de R$ 21,50? 
A blogueira, após saborear um lanchinho com sobremesa em um dia qualquer de sua vida, saiu de lá 96 reais mais pobre. E não viu problema nenhum nisso, o que me leva a crer que é um valor absolutamente normal a se pagar por um lanche na cidade. Pelas fotografias ficava claro que não era um lugar fino. Pareceu-me, aliás, um lugar que eu entraria se passasse na frente. E que certamente me retiraria após ver o cardápio. 
Eis mais um bom tópico a ser acrescentado à lista de motivos pelos quais eu não quero morar em São Paulo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

um lixo diferente

Não, não vai ficar tudo bem. Por que tudo tem que ficar sempre bem depois que você finalmente acaba com seu joguinho e decide me ligar para fazer com que as coisas fiquem bem? Pois elas não vão ficar e eu posso até fingir, posso fingir muito melhor do que você, inclusive. O que, convenhamos, não é nada difícil. Você pode ser bom em muitas coisas, é verdade, mas você é um péssimo mentiroso. Seria risível se o resultado dessas mentiras todas não fosse uma punhalada que elimina qualquer expressão de meu rosto. Mas não é curioso que depois de praticar tanto você ainda seja tão ruim nisso?
Não adianta tentar relevar algumas atitudes suas para tentar ser bacana, não adianta compensar meus deslizes temperamentais com gentilezas, não adianta eu tentar dar o meu melhor, tentar ser a melhor, não adianta nada disso, porque você está vendo agora o que eu ganho em troca, não está? E dessa vez o show nem foi completo. Culpa minha que fui dar uma de resignada e magoada ao invés de colocar tudo para fora de uma vez. Se eu tivesse feito isso, o seu espetáculo poderia ter sido mais uma vez bem-sucedido. Você se encarregaria de cada detalhe para fazer com que eu me sinta um lixo, com que eu pense que você está é fazendo um favor para mim durante esse tempo todo e que se eu não me comportar direitinho, você para de me fazer o favor. Não é assim? E isso tudo realmente acontece, seus objetivos são todos alcançados, porque eu sou uma excelente idiota. É o meu maior talento. Eu me afogo em lágrimas e penso que a culpa é toda minha. Penso que sou a pior pessoa do mundo e que deveria ser mantida em cativeiro para não conviver com pessoas tão boas e perfeitas como você. 
Dessa vez eu não deixei você completar o seu show. Você deve ter sentindo falta, não? Deve ser estranho não me deixar no ponto ideal para me crucificar mais tarde. Agora você não tem como fazer eu me sentir um lixo. Eu já estou me sentindo um, mas dessa vez é diferente. O mérito também é seu, claro. Mas é um outro tipo de lixo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

gol contra

As pessoas vivem insistindo nesse negócio de que a gente não pode desistir dos nossos objetivos, por mais difíceis que eles sejam blablablá, e aí é claro que no final isso vai dar merda. 
Da quinta série até a sétima eu resolvi que gostava de jogar futebol, e, não satisfeita, também resolvi que queria jogar no time do colégio. Como você leitor já deve ter constatado, eu não jogava porcaria nenhuma. Eu era mesmo muito ruim, mas não havia nenhuma outra menina tão disposta quanto eu a ocupar a vaga de fixa no time das inter-séries do ano 2000, então lá fui eu. Passadas as inter-séries, quem poderia segurar a gordinha? Logo estava no banco de reservas de amistosos entre colégios, chegando até a entrar e jogar por alguns minutos. Naquelas de ir em busca dos meus objetivos, que era de um dia me tornar uma boa jogadora, na sétima série eu fiz um gol contra em um campeonato inter-escolar.
Lembrando disso hoje, eu até me surpreendo por ter demorado tanto para marcar o gol contra, afinal, eu era bisonhamente ruim e minha posição era muito próxima da goleira do meu time. Não havia perigo nenhum de aquilo dar certo. O que importa é que depois desse dia eu desisti do futebol para o todo o sempre. Não fosse esse treco motivador de "não desista dos seus sonhos", eu teria poupado minha tez desse vexame.
Hoje, mais de 10 anos depois, entrei numa onda semelhante. Eu estou com a ideia fixa de que um dia vou fazer doces maravilhosos. Há algumas semanas esmaguei um bolo com as mãos e joguei fora antes que qualquer outro ser humano visse aquela tragédia abatumada com cor de dejeto bovino. O mesmo infelizmente não pôde ser feito com o quindão que cometi dias depois, pois toda a família estava ansiosa esperando o resultado daquela receita que levou milhares de ovos e quilos de açúcar e coco ralado. O resultado foi apenas a coisa mais feia e menos parecida com um quindão que já vi em toda minha vida. 
Quem sabe tenha sido o gol contra da minha vibe doceira. Torçamos.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

fim do capítulo

Após uma noite de pesadelos em que os avaliadores da banca me amarravam em uma cadeira elétrica com choques ativados a cada equívoco encontrado em meu TCC, sobrevivi ao que posso chamar de: o momento mais tenso da minha vida. Não vou dizer que foi fácil. Não vou dizer que não quis cair desmaiada no chão depois das palavras finais. Não vou mesmo. 
Mas também não vou dizer que existe coisa melhor do que ouvir considerações sobre meu trabalho vindas de uma das minhas maiores referências do jornalismo de Santa Catarina. Melhor que isso, só olhar para a minha pequena plateia e ver que aquela promessa feita há mais de um ano foi realmente cumprida. E que nunca houve motivo para não ser.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

sinal dos tempos

Há um ano e cinco meses meu namorado dorme em minha casa pelo menos um fim de semana por mês. Meus pais nunca reclamaram de nada. Muito menos de sons suspeitos oriundos de meu quarto. Até que nesse último sábado, aconteceu.
Era por volta de meia noite quando minha impaciente mãe berrou lá de fora algo referente ao barulho produzido dentro daquelas quatro paredes.
Estávamos jogando Song Pop.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

autoamor

Eu só queria que fosse honesto, que fosse sincero. Só isso. E eu sei que não é pedir muito, porque se assim fosse, todo o resto não existiria. Dor de cabeça, dor de barriga, gritos estridentes na madrugada, silêncios, questionamentos. Porque no começo você se questiona o porquê de estarem fazendo isso contigo. Mas depois de um tempo, você se questiona de outro jeito. Você quer saber por que está fazendo isso consigo mesmo.
A culpa pode não ser sua em um primeiro momento, mas quando os momentos se tornam recorrentes, você é o grande culpado, e não adianta chorar. Não adianta se trancar no banheiro e deslizar do alto da parede até o chão como se fosse vítima de alguém. Você na verdade é vítima de algo: da sua falta de autoamor. Como se lá fora não houvesse um mundo inteiro, desconhecido e pronto para ser desbravado, cheio de sorrisos que não escondam nem as menores mentiras.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

poderia ter sido um sonho erótico

Nunca mais conseguiu olhar para o rapaz do mesmo jeito, coitada. Era seu sonho de consumo fazer loucuras passando os dedos naqueles cachinhos escuros, mas foi justamente um sonho, desses que a gente tem quando dorme, que mandou tudo para o espaço. 
Eles estavam prestes consumar o fato. No sonho, quero dizer. E, veja bem, ela já tinha uma boa experiência no assunto - na vida real, no sonho eu não sei - e nunca, nunquinha havia se importado com o tamanho. Talvez nunca tivesse se importado com o tamanho porque todos os homens com quem esteve naqueles quase 30 anos de vida tinham acessórios de um tamanho normal. 
Sem saber que aquela cama com lençóis brancos naquele lugar que jamais viu antes estava situada dentro de um sonho, notou que aquilo que o rapaz nu em sua frente ostentava beirava o deboche.  Mas nem foi isso o que causou certos desencontros propositais nas noites por parte dela. Sim, porque ele entrava no bar e ela dava um jeito de sair pela tangente, buscar mais um drink, retocar o batom cor de pêssego, qualquer coisa assim.
No meio de sua onda de curiosidade a respeito do que o pequenino poderia lhe proporcionar, o rapaz de cabelos cacheados saltou da cama dizendo que não estava se sentindo bem. Se ela não conhecia aquele ambiente, tampouco ele parecia saber onde estava. Abriu a porta do quarto, e, com o traseiro levemente peludo voltado para ela, vomitou. Vomitou na parede branca do ambiente que antecedia o quarto. Sem saber como lidar com aquilo, o que falar diante daquela situação desconcertante, foi surpreendida por um barulho ensurdecedor muito próximo de seu ouvido.
Desligou o despertador e foi tomar o café da manhã. Ela precisava de um novo objetivo na vida.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

planos

Quando eu terminar meu tcc eu vou: ler um livro de FICÇÃO, de preferência bem fantasioso. Acho que vou ler Nárnia. Não, também não precisa ser um livro chato além de fantasioso, mas vai ser algo por aí. Não aguento mais a realidade. Chega dessa porra.
Eu também vou renovar os discos do meu iTunes, vou encontrar umas bandas estranhas que tenham harpa, tuba ou xilofone e que cantem em, sei lá, russo ou alemão. Há meses eu ouço as mesmas coisas porque ir atrás de novidades sonoras - ainda que velhas - demanda uma força de vontade que não possuo.
Também vou voltar a assistir vários filmes por semana, porque uma ou duas películas aos sábados ou domingos não são suficientes. A cada filme ruim que assisto no fim de semana ou a cada filme que pego no sono, a perda acaba sendo grande. Proporcionalmente, ao assistir quatro filmes por semana, um deles pode ser ruim. A coisa já não fica tão dramática.
Logo após a minha banca eu vou dormir por no mínimo 12 horas seguidas. Mas antes eu vou beber. Vou beber e ficar gritando pelas ruas que depois de cinco ininterruptos anos indo diariamente de ônibus para Itajaí, depois de três estágios que só foram legais nos três primeiros meses, eu finalmente sou uma jornalista. Uma jornalista desempregada, mas ainda assim uma jornalista. 

Falta menos de dois meses.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

estamos aqui outra vez

Tudo é bom quando é contigo. Do sábado ensolarado em Santo Antônio de Lisboa, aos domingos preguiçosos no sofá, até uma busca cheia de determinação por um pacote de sopa no feriado. Se hoje estivéssemos juntos aí, provavelmente estaria chovendo e alguém em algum lugar, por qualquer motivo, estaria soltando fogos.
O aniversário é teu, mas o desejo mesmo é meu de mostrar o quanto me faz feliz escrever aqui de novo, um ano depois, querendo pra ti as mesmas coisas boas de sempre, com uma intensidade ainda maior. Porque tudo só fica maior.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

vinte e cinco de abril

Já passava das 14h45 quando o Catarinense para Florianópolis deixou a rodoviária de Balneário Camboriú, com surpreendentes 15 minutos de atraso. Dentro dele, eu, minha irmã, mais um dois ou três rapazinhos com camisetas dos Beatles e os usuais passageiros. 
Mas nem foi ali que começou verdadeiramente a minha saga para conseguir ir ao show do Paul McCartney. Há algumas semanas, na sala da casa do Upiara, eu segurava trêmula meu computador para comprar ingressos do primeiro lote pela internet – sem poder gozar de meus benefícios de estudante, por mero desespero de ficar sem o ingresso. Desespero totalmente contundente, levando em consideração que em 2010, quando Paul esteve em Porto Alegre, eu não consegui comprar, o que me rendeu pelo menos dois meses de uma bela amargura. Era o setor mais longe do palco, é verdade. Mas depois daquele aviso de “compra confirmada”, eu não queria saber de mais nada. Eu veria Paul McCartney. Meu primeiro show internacional seria o do músico mais importante do mundo que ainda vive neste plano. 
O ônibus chegou a Florianópolis por volta das 16h30. O tempo cinza e esquisito nos obrigou a dar uma passadinha numa 1,99 para garantirmos capas de chuva por um preço justo. Corremos para a casa do Upiara para tiramos da bolsa tudo o que poderia ser considerado arma branca e voamos para o Ticen, de onde sairiam ônibus direto para a Ressacada. A fila foi rápida e o trajeto do ônibus até lá também. Com R$ 2,70 fomos deixados a poucos metros do nosso portão. 
Quando chegamos na fila para entrar, dava pra ouvir Paul passando o som lá dentro, uma agradável distração para o atraso de mais ou menos uma hora da abertura dos portões. A entrada de toda aquela gente demorou mais do que se podia imaginar, mas antes das 20h já estávamos todos acomodados em um lugar razoavelmente bom para o nosso setor, onde até fomos contemplados com um pedacinho do telhado das cadeiras cobertas. 
O show estava marcado para as 21h30, e com uma pontualidade britânica, Sir Paul MacCartney apareceu no palco impecável, de paletó azul. 
A sensação de ter um Beatle a metros da gente é inexplicável. Não há no mundo palavras que definam. Era difícil não ir às lágrimas com aquele acontecimento apoteótico em cima do palco. Acho que se alguém não tinha se rendido a elas até o show completar 2 horas, os fogos de Live and Let Die se encarregaram disso com certa precisão. 
A apoteose terminou à 00h20, com muita chuva, muita fila, muitos olhos inchados e a aquela sensação... aquela sensação de ter visto um Beatle.